#tenho um fascínio por cobras e desertos mas sinto medo. Medo pelo outro.
Um fascínio nem sempre é coisa boa.
Sonhei na infância um deserto em que gritava sem som. Era um grão de areia.
Todos gritavam sem som. Acordei afónica. E ainda hoje me lembro da agonia. Eram todos grãos de areia mas a pior parte era que não aceitávamos essa condição e todos gritavam.
Depois, em pleno auge da adolescência supersticiosa associei a uma espécie de limbo, purgatório.
Bom, estou a falar disso. Deve ter passado a dor. Sempre fui medricas. Mas isso mudou tudo. Essa agonia acompanhou-me como um fiel amigo. Ao ponto de ser quase uma espécie de zona de conforto. Incrível. Uma Zona de Conforto. MESMO. Fiquei doente e existiu de facto uma ruptura nessa zona de conforto. No auge da minha doença associei ao inferno. E como se pode imaginar, é extremamente desconfortável. Como digo, sempre fui medricas. Sempre de sempre não sei. Mas é um cálculo. As cobras vieram a meio deste filme todo. Um amigo de um amigo criava pitões e peguei numa com toda alegria deste mundo. Como pego em gatos. Satisfação (agora já não sei se seria capaz) e ela (eu usava muitas pulseiras na altura) ficou com o rabo preso numa e atacou à sua forma e feitio (provavelmente sentiu medo) mas o meu amigo tinha me pedido para segurar na cabeça e vi-lhe os olhos e a língua em riste . Não senti medo. Fiquei deslumbrada. Pousamos e foi à sua vida pacata e doméstica. Mais tarde tatuei duas cobras. E hoje, lembrei-me de uns lápis conté que me fizeram sonhar com um deserto bonito. Em pequena também. Não sei se a caixa dos lápis tinham um deserto, a sério que não me lembro mas foi ( e ainda é para mim) uma imagem de plenitude e alívio.
Um fascínio nem sempre é coisa boa.
Sonhei na infância um deserto em que gritava sem som. Era um grão de areia.
Todos gritavam sem som. Acordei afónica. E ainda hoje me lembro da agonia. Eram todos grãos de areia mas a pior parte era que não aceitávamos essa condição e todos gritavam.
Depois, em pleno auge da adolescência supersticiosa associei a uma espécie de limbo, purgatório.
Bom, estou a falar disso. Deve ter passado a dor. Sempre fui medricas. Mas isso mudou tudo. Essa agonia acompanhou-me como um fiel amigo. Ao ponto de ser quase uma espécie de zona de conforto. Incrível. Uma Zona de Conforto. MESMO. Fiquei doente e existiu de facto uma ruptura nessa zona de conforto. No auge da minha doença associei ao inferno. E como se pode imaginar, é extremamente desconfortável. Como digo, sempre fui medricas. Sempre de sempre não sei. Mas é um cálculo. As cobras vieram a meio deste filme todo. Um amigo de um amigo criava pitões e peguei numa com toda alegria deste mundo. Como pego em gatos. Satisfação (agora já não sei se seria capaz) e ela (eu usava muitas pulseiras na altura) ficou com o rabo preso numa e atacou à sua forma e feitio (provavelmente sentiu medo) mas o meu amigo tinha me pedido para segurar na cabeça e vi-lhe os olhos e a língua em riste . Não senti medo. Fiquei deslumbrada. Pousamos e foi à sua vida pacata e doméstica. Mais tarde tatuei duas cobras. E hoje, lembrei-me de uns lápis conté que me fizeram sonhar com um deserto bonito. Em pequena também. Não sei se a caixa dos lápis tinham um deserto, a sério que não me lembro mas foi ( e ainda é para mim) uma imagem de plenitude e alívio.
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